DISSERTAÇÕES

Nesta seção, você encontra uma seleção de publicações acadêmicas com temáticas em torno das questões entre arte e raça. Ao clicar, redirecionamos você para os sites de origem de cada uma delas.

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Ilê aiyê: interações entre arte, educação e cultura afro-brasileira

Daniele Santos Santana

Universidade de Brasília

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2018

Palavras-chave: Negros, história, cultura Ilê Aiyê, Cultura afro-brasileira, Cultura africana

O presente estudo tem por objetivo investigar os projetos educacionais desenvolvidos pela Associação Cultural Bloco Carnavalesco Ilê Aiyê, tendo em vista entender a importância da valorização da cultura afro-brasileira na sala de aula e destacar as propostas pedagógicas apresentadas nos Cadernos de Educação que se consolidam como recurso pedagógico fundamental para o trabalho de professores e professoras que abordam as temáticas relacionadas à história e cultura africana e afro-brasileira. Precedentemente, apresenta-se um breve panorama do ensino de Arte no Brasil, o qual evidencia a tentativa de invisibilidade das culturas indígena e africana no campo educacional, a partir da colonização do país, e como as tendências educacionais do século XX propõem uma nova abordagem acerca do tema, através de propostas que visam a diversidade cultural na educação. O caminho percorrido envolve também uma pesquisa histórica da trajetória do bloco afro Ilê Aiyê, desde a sua criação, em 1974, na cidade de Salvador, Bahia, e sua consolidação enquanto instituição de ensino formal, com projetos de cunho pedagógico que culminou na criação do PEP (Projetos de Extensão Pedagógica), o qual engloba a Escola Mãe Hilda, a Banda Erê, a Escola Profissionalizante e os Cadernos de Educação do Ilê Aiyê. Estes últimos, resultado das atividades ligadas aos temas do carnaval apresentados pelo Ilê, são aqui apresentados em algumas edições e utilizados como recurso didático principal para o ensino da cultura africana e afro-brasileira em sala de aula, no contexto formal de educação, na realização de atividades artísticopedagógicas desenvolvidas com estudantes de uma escola pública, cursistas das últimas séries do ensino fundamental da educação básica. Foram realizados três encontros nos quais os temas propostos e ilustrações presentes nos Cadernos de Educação do Ilê Aiyê (volumes VII, X, XII, XVI, XVII e XXI) serviram de suporte para o desenvolvimento das atividades artístico-pedagógicas, que contaram com aulas expositivas, audição e interpretação de músicas do Ilê. Em paralelo, a investigação também analisa a relação entre as práticas propostas, via Cadernos de Educação, e as diretrizes e legislações curriculares que buscam assegurar a pluralidade cultural na educação básica, tais como os Temas Transversais, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e a Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-brasileira nas escolas. Como resultado da pesquisa, produções visuais realizadas pelo/as participantes e debates sobre os procedimentos realizados serviram de arcabouço para o desenvolvimento das interpretações de dados sobre as atividades propostas e as categorias de análise que envolvem o processo de ensino e aprendizagem e o ensino de Arte, tais como a educação afrocentrada e a representação do negro nas artes visuais.

Bispo e Adéagbo: da desconstrução da crítica à adição e fusão de pensamento em forma de arte

Carlos Antônio Alonso

Universidade de São Paulo

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2016

Palavras-chave: Arte africana, Arte popular, Arthur Bispo do Rosário, Georges Adéagbo, Ready made

Esta pesquisa teve no debate teórico sobre ready made, pop art e arte conceitual, sua motivação inicial, surgida da crítica ao fechamento intelectual e estético presente nos cânones exigidos pelos currículos escolares no Brasil. As implicações destes conceitos são discutidas em paralelo à elaboração de uma visão crítica das classificações europeias e norte-americanas como matrizes adequadas para a compreensão da criação de artistas como Arthur Bispo do Rosário, Brasil (1919-1988) e de Georges Adéagbo, Benin (1942). De forma complementar, o percurso do pesquisador-artista participa do processo de compreensão e análise. O foco recaia de um lado no material e matéria dos objetos do cotidiano, utilizados na obra de Arthur Bispo do Rosário e nos itinerários das obras de Georges Adéagbo, artista autodidata que expõe suas ideias e narrativas em forma de objetos escultóricos, ocupações de espaços públicos. Eles têm ainda em comum, as metodologias e os processos que espelham conceitos próprios e arqueologias de saberes ligados às suas próprias culturas e sociedades, além de constante construção de suas identidades. Esses processos de pensamento envolvem a ação mental (conceituação ou projeto mental) e a execução das ideias que se reflete em seus trabalhos de arte. O interesse principal de ambos está na análise do cotidiano representado por objetos de origem endógena e exógena que são fundidos e geram aspectos diferentes à materialidade, à narrativa, à desconstrução do próprio objeto como fenômeno (logia) da metamorfose a ele impressa, retirado de seu espaço de significação original, resignificado e ambientado no espaço-ser da arte como pensamento a partir do objeto de Bispo e, na auto-arqueologia inversa de Adéagbo.

Arte popular brasileira na contemporaneidade através da obra de Zé Pretinho

Liliane Alfonso Pereira de Carvalho

Universidade Presbiteriana Mackenzie

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2016

Palavras-chave: Arte popular, Arte brasileira, Cultura contemporaneidade, Zé Pretinho

A Arte Popular Brasileira, do mesmo modo que qualquer outra manifestação artística, passou por modificações. Este fato deu-se por diversas influências: ambientais, sociais, culturais, políticas e até mesmo pela disponibilidade de novos materiais para a criação artística. Esta pesquisa consiste em apresentar, como a arte popular modificou-se ao longo do tempo e encontrou caminhos para sua adaptação, demonstrando a importância da Arte Popular Brasileira na contemporaneidade através das obras do artista conhecido como Zé Pretinho. Artista que cria a partir do que a sociedade descarta, transcendendo diretamente com sua história pessoal e questionando acontecimentos característicos de nossa época, expressando em sua poética, críticas políticas e sociais. As obras desenvolvidas por Zé Pretinho circulam entre o popular e a contemporâneo, tendo como principais características em sua produção o uso da escrita e bonecas industrializadas. Suas obras e processo de criação interferem no cotidiano urbano, sendo classificadas pelo próprio artista como: filosofia urbana. Zé Pretinho, nos convida a conhecer o mundo criado por ele, e através de seu trabalho reconhecemos nossa própria realidade.

Museu-Terreiro: o sagrado afro-brasileiro em um ambiente museológico

Bruna Amaro dos Santos

Universidade de São Paulo

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2018

Palavras-chave: Arte afro-brasileira, sagrado afro-brasileiro, museologia, exposição, curadoria

Este trabalho tem como objetivo, a partir das reflexões teóricas sobre arte e antropologia, realizar uma análise interpretativa sobre a construção e representação do sagrado afro-brasileiro em um dos núcleos expositivos do Museu Afro Brasil. A análise do ato expositivo e a pesquisa iconográfica em um dos núcleos do acervo permanente da instituição será utilizada como ponto de partida para pensarmos na presença do sagrado nesse ambiente, tendo como aspecto central de estudo a forma como se constrói e se manifesta o trabalho expográfico que fica a cargo, principalmente, do atual diretor e artista plástico Emanoel Araujo. Refletir sobre os artistas, objetos e símbolos presentes no núcleo Religiosidades Afro-brasileiras a partir de sua expografia nos ajudará a pontuar questões relevantes quanto aos fenômenos estético e religioso presentes em uma das categorias da arte afro-brasileira, assim como sobre as interpretações que se fazem desse encontro no espaço museológico pelos públicos que o frequentam, um campo ainda de abordagens latentes.

Entre o visível e o oculto: a construção do conceito de arte afro-brasileira

Hélio Santos Menezes Neto

Universidade de São Paulo

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2017

Palavras-chave: Arte afro-brasileira, Arte negra, Identidade negra, Museu Afro Brasil, Museu Afro-Brasileiro

Essa dissertação versa sobre a noção de arte afro-brasileira, tomando os principais estudos voltados à questão, exposições emblemáticas ao redor do tema e os contextos de fundação e expografia de duas instituições decisivas da área o Museu Afro-Brasileiro, em Salvador, e o Museu Afro Brasil, em São Paulo como meios privilegiados de acesso às disputas conceituais e políticas que a constituem. Subjaz ao entendimento geral do estudo que as dificuldades de conceituação dessa arte de muitos nomes negra, afrodescendente, afro-orientada, diaspórica, preta etc. e os distintos significados que lhe foram sendo atribuídos ao longo do século XX, se relacionam de maneira incerta, porém constante, com as ambiguidades que informam as relações raciais no Brasil. Os capítulos que compõem essa dissertação buscam se debruçar sobre esse mosaico de usos, interpretações e definições que dão corpo e sentido, ainda que instável, ao termo. Afinal, quando se faz ou se fala em arte afrobrasileira, do que se está falando e o que se está fazendo? Quando uma exposição ou museu são organizados em torno desse conceito, que critérios e entendimentos são por eles acionados e, por fim, também criados?

A representação do corpo humano na arte Iorubá

Edmilson Quirino dos Reis

Universidade de São Paulo

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2014

Palavras-chave: África, Arte Arte africana, corpo, História da arte, História da arte africana

A dissertação tem como objeto de pesquisa obras de arte tradicionais de origem africana do grupo étnico Iorubá onde se encontra representado o corpo humano. Busco elucidar as causas sociais, históricas, filosóficas que possibilitaram as produções escultóricas artísticas que apresentam geralmente formas antropóides.

Modernismos Africanos nas Bienais de São Paulo (1951-1961)

Luciara dos Santos Ribeiro

Universidade Federal de São Paulo

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2019

Palavras-chave: África, Bienal Internacional de São Paulo, Modernismos africanos, Arte Moderna, Arte Africana

Esta pesquisa tem por objetivo investigar a participação de delegações africanas naBienal de Artes de São Paulo durante o período de 1951 a 1961. Por meio dadocumentação localizada durante pesquisas no Acervo Histórico Wanda Svevo,verificamos que produtores e artistas africanos estiveram em diálogo com a mostradesde sua primeira edição. Com este estudo, pretende-se projetar um olhar para osmodernismos africanos que participaram da Bienal de São Paulo, tendo como foco a primeira década da mostra. Apresentam-se tais relações, a partir da documentaçãolocalizada, analisando e destacando alguns dos agentes que colaboraram para tais participações. Primeiramente, realiza-se um estudo da primeira Bienal e da sua relaçãocom os modernismos, com o colecionismo das artes africanas e com estudos dasmesmas. Um segundo momento dedica-se a analisar as participações dos dois primeiros países africanos a integrarem a mostra: a União Sul-Africana (África do Sul) e o Egito.Encerra-se com um estudo da VI Bienal e as suas relações com a geopolítica das artes eda história da África. Os resultados apresentados constituem um esforço de organizaruma leitura crítica do início da Bienal de São Paulo, por meio dos modernismosafricanos.

Transgredir para educar: das “mulatas” de Di Cavalcanti às propostas pedagógicas engajadas e decoloniais

Mirella Aparecida dos Santos Maria

Universidade Estadual Paulista

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2018

Palavras-chave: Pedagogia engajada, pedagogia decolonial, mulheres negras, imaginário, representação

Por meio deste trabalho propõe-se uma análise pedagógica a partir das concepções engajada de bell hooks e decolonial de Catherine Walsh para a obra Mulatas (1927) do artista visual Di Cavalcanti. Além disso, complementa-se com visualidades positivas para a representação de mulheres negras nas artes visuais.

A invisível luz que projeta a sombra do agora: gênero, artefato e epistemologias na arte contemporânea brasileira de autoria negra

Janaina Barros Silva Viana

Universidade de São Paulo

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2018

Palavras-chave: Autoria negra, gênero e artefato, arte brasileira contemporânea. epistemologias

Nesta pesquisa propõe-se o debate sobre aspectos da experimentação em artes visuais pautado no papel do autor e nos discursos traçados pelas relações de identidade e alteridade na arte contemporânea. O retorno à ideia do artista como autor e a individualização dos critérios artísticos ao longo do século XX e XXI tornam-se fundamentais para discutir visualidades em busca de redefinições a respeito das formas de protagonismos no cenário artístico como é o caso de produções associadas diretamente ao epíteto arte afro-brasileira, no sentido em que se refere a produções múltiplas em temas, linguagens, discursos e estratégias de leituras. Traça-se um breve panorama sobre uma cena de autoria negra e seus trânsitos em espaços institucionais nas últimas décadas. Além de apresentar um recorte que considera a leitura da própria pesquisa poética visual. Tem-se como interesse, refletir sobre a construção de epistemologias a partir do debate de gênero e artefato na arte contemporânea. Assim, destacam-se nesta discussão os trabalhos de Rosana Paulino, Sonia Gomes e Lidia Lisboa. O artefato aparece nesta escrita como performance e método: escrita contranarrativa, memória e gesto político. Apresenta a problemática nos lugares de fricção em relação às terminologias instauradas, às condutas poéticas e éticas na arte contemporânea e suas epistemologias. Qual a relevância em sinalizar a origem étnica de uma autoria numa dada forma poética dentro de um contexto histórico e político? Quais movimentos na confuguração de um discurso visual implicam na construção de uma leitura sobre gênero? Quais gestos operativos sinalizam essa condição? De qual maneira nós construímos os nossos olhares e nossas perspectivas nesta encruzilhada sobre a ideia de histórias pessoais e universalidades, microestruturas e macroestruturas? Quando estas autorias falam por si? Qual o lugar possível de legitimidade delas? Quais são as estratégias possíveis de reescritas de contranarrativas?

A CONSTRUÇÃO DE UMA CATEGORIA ARTE AFROBRASILEIRA: UM ESTUDO DA TRAJETÓRIA ARTÍSTICA DE MESTRE DIDI

GABRIELA DA SILVA DEZIDÉRIO

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

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2015

Este trabalho possui como objetivo central refletir sobre a construção da categoria arte afrobrasileira enquanto fenômeno social em paralelo a construção da trajetória artística de um artista específico, Deoscoredes Maximiliano dos Santos, o Mestre Didi. E analisar a forma como se dá o processo de legitimação de artistas inseridos nesta categoria, e também como se configuram as relações destes artistas afro-brasileiros com o campo artístico brasileiro num sentido macro. Outro aspecto de interesse para este estudo é a particularidade da obra de Mestre Didi, que mescla arte e religião, tendo o próprio artista exercido plenamente os papéis de artista e sacerdote, e que o levou a fazer desta interseção de campos sua poética. Refletir sobre como o aspecto religioso que permeia toda a sua produção artística vai influenciar nestas relações então mencionadas é também um dos propósitos deste trabalho. Para isto será
traçado um breve panorama histórico da arte afro-brasileira em paralelo a análise de dados biográficos do artista em questão, considerando sua trajetória artística e pessoal, assim como dados de sua genealogia que auxiliem na compreensão da constituição deste universo mítico representado em suas obras. Em última instância propõe-se uma análise sucinta de sua obra.

A configuração da curadoria de arte afro-brasileira de Emanoel Araujo

Marcelo de Salete Souza

Universidade de São Paulo

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2009

Palavras-chave: Cultura afro-brasileira, museologia, arte afro-brasileira, arte contemporânea, exposições de arte, artes plásticas, curadoria museológica

Este trabalho objetiva realizar um estudo sobre a curadoria de Emanoel Araujo, artista, colecionador e curador baiano. Focaremos compreender os interesses do curador em suas mostras sobre arte afro-brasileira. A atividade de Araujo acontece dentro do museu de arte e tem como objetivo último o ato expositivo. A sua maneira de ordenar as obras de arte no espaço cria uma narrativa sobre arte afro-brasileira que poucas vezes foi abordada dentro do museu. Perceber como é efetivada essa história, bem como quais são as consequências dela para a história da arte no Brasil, é uma tarefa urgente. O universo da exposição de Araujo, como um espaço privilegiado de debate e confronto, é de grande relevância para compreender como se efetiva a visualidade e representação do negro em toda a sociedade brasileira. Nesse sentido, a explanação sobre as principais exposições de Araujo no Brasil traz problemas e interrogações relevantes para se pensar a arte afro-brasileira e a arte brasileira como um todo. A curadoria da arte afro-brasileira de Araujo é ainda um campo de poucas abordagens acadêmicas. Pontuar como começou essa ação, como se efetivou e os seus desdobramentos dentro da história da arte é o nosso propósito.

Artistas do deslocamento: cinco estudos em arte contemporânea africana

Valdir Pierote Silva

Universidade de São Paulo

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2019

Palavras-chave: Africanos, Arte, Arte africana, Arte contemporânea, Estética

Esta dissertação, de caráter ensaístico e cartográfico, acompanha dimensões da arte contemporânea africana a partir de estudo de cinco criadores do continente africano participantes do Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil, realizado na cidade de São Paulo, entre 2011 e 2018. O repertório composto evidencia desafios e possibilidades para a constituição de poéticas e sensibilidades extraocidentais, reunindo criações que expressam diversas formas de deslocamento e destacam a intensa circulação entre mundos como parte importante da assinatura africana. De modo polifônico, as produções de Dan Halter, Bouchra Khalili, Bianca Baldi, Michael MacGarry e Karo Akpokiere sublinham a complexidade dos universos estéticos de criações africanas, ao mesmo tempo que questionam prescrições sobre diferenças culturais, regimes de fronteiras e narrativas hegemônicas que impulsionam a captura das imaginações. Sinalizam um campo multifacetado, em plena ebulição e construção, que se desdobra na necessidade de pluralização de referenciais, a fim de desconstruir assimetrias de poder, gerando novas experiências políticas e estéticas.

Que “Afro” é esse no Afro Brasil? A concepção curatorial no Museu Afro Brasil – Parque Ibirapuera, São Paulo/SP

Carla Brito Sousa Ribeiro

Universidade Federal de Santa Catarina

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2018

Palavras-chave: Museu Afro Brasil, imagem, afro-brasileiro, afroidentidade

Esta pesquisa se orientou pela abordagem etnográfica do Museu Afro Brasil, tendo em vista levantar aspectos que permitissem refletir sobre o conceito e as ideias de “afro” da instituição. O conceito, que norteia a concepção curatorial no Afro Brasil, se revelou como um imaginário próprio, composto pelo arranjo de objetos de toda a sorte de categorias, que junto a instalações e elementos de cenografia, comunicam o “afro” ao público de uma maneira aberta. O acompanhamento da rotina institucional também possibilitou perceber que este “afro” transcende a narrativa curatorial, pois é evidenciado na visão política dos colaboradores do Museu que atuam na comunicação com o público visitante, principalmente através de seus educadores. Remontar os
percursos, tanto do idealizador e realizador do Afro Brasil, Emanoel Araújo, quanto dos conceitos que fizeram parte da concepção do Museu no formato das exposições que o precederam, auxiliou a pensar a institucionalização do “afro” e os modos como essa noção vem sendo moldada atualmente através de um processo criativo conjunto.

Carybé: uma construção da imagética do candomblé baiano

Marcelo Mendes Chaves

Universidade de São Paulo

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2012

Palavras-chave: Carybé, arte afro-brasileira, sincretismo, candomblé

A presente dissertação trata da plástica de Carybé, especificamente em suas ilustrações e produções gráficas, no período compreendido entre 1950 e 1980. A pesquisa desenvolvida sobre essa temática considera a mitologia e a ritualística de origem negro-africana iorubá como uma das poéticas do artista, aproxima sua imagética, em diferentes momentos, à manifestação do sistema religioso do candomblé Queto por uma maior visibilidade e inclusão social e procura pontuar os principais aspectos de sua construção a partir da segunda metade do século XIX. O estudo envolve a análise de quatro produções gráficas. Os trabalhos apresentados são: A Coleção Recôncavo (1951); Das Visitações da Bahia (1974); O Mural dos Orixás(1979); e Os Deuses Africanos no Candomblé da Bahia (1993). Inicialmente, por meio das três produções analisadas no primeiro capítulo, apresentamos o tema da pesquisa, tendo em vista a ressignificação religiosa. Com base na quarta produção, o segundo capítulo analisa a estética afro-brasileira e tem como principal teórico Mariano Carneiro da Cunha. O debate sobre a formação do candomblé Queto na Bahia amplia-se no terceiro capítulo e possibilita uma interlocução com a fotografia, literatura e música, destacando: Pierre Fatumbi Verger, Jorge Amado e Dorival Caymmi. Em uma abordagem da história da arte afro-brasileira e utilizando uma perspectiva da antropologia estética, procuramos compreender a produção de Carybé inserida na formação identitária do Brasil.

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