Captura da tela do evento virtual, com a participação de (da esquerda para a direita) Luciara Ribeiro, Rodrigo D’Alcântara, Diogo Rodrigues de Barros, Yhuri Cruz e Pêdra Costa. Foto: reprodução

INTERSEÇÕES NA ARTE CONTEMPORÂNEA BRASILEIRA: REGISTRO DO EVENTO

por Rodrigo D'Alcântara

7 de outubro de 2021

CURTAS
Seminário

Captura da tela do evento virtual, com a participação de (da esquerda para a direita) Luciara Ribeiro, Rodrigo D’Alcântara, Diogo Rodrigues de Barros, Yhuri Cruz e Pêdra Costa. Foto: reprodução

O nome das terras não-cedidas agora conhecidas como Brasil foi dado pelos invasores portugueses a partir do “pau-brasil”, uma árvore como a brasa que foi quase extinta devido a sua comercialização exploratória desde os anos 1500. Nesta época, numerosos povos indígenas que existiam há séculos nestas terras foram escravizados e exterminados para este fim. O caminho sangrento por trás do projeto brasil de uma nação foi, então, seguido por séculos de escravidão de uma vasta gama de culturas africanas, cujos povos foram agressivamente forçados a fazer parte deste chamado “projeto civilizador”, resultando nas diásporas afro-brasileiras.

Como sabemos, esta corrida imperialista resultou em um forte modelo ocidental cis-gênero branco, que impõe uma única narrativa, centrando-se como o núcleo hegemônico mundial, e pelos quais algumas vidas são enquadradas como dissidentes, e colocadas nas margens ou mais além. Vindo do caótico e fértil Sul do Mundo, estamos em direção a uma forma contra-hegemônica de ocupar instituições e perpetuar imagens dissidentes. A mesa redonda Interseções na Arte Contemporânea Brasileira traz diálogos cruzados entre as pesquisas de Luciara Ribeiro, curadora e pesquisadora, Pêdra Costa, artista, e Yhuri Cruz, artista, com a mediação de Diogo Rodrigues de Barros e Rodrigo D’Alcântara, para pensar a arte como um canal que projeta realidades anticoloniais, desafiando, denunciando e tornando visível a necropolítica do passado-presente, que de forma alarmante continua a dominar o Brasil, assim como nosso mundo compartilhado.

A mesa-redonda virtual foi realizada pelo Zoom no dia 31 de março de 2021, marcando a inauguração do Global South Working Group [Grupo de Trabalho do Sul Global], que está ligado ao EAHR – The Ethnocultural Art Histories Research Group [Grupo de Pesquisa em Histórias de Arte Etnocultural], da Concordia University, do Canadá. Neste espaço gentilmente cedido pelo Projeto Afro, que apoiou a realização do evento, publicamos o vídeo completo do seminário, disponível em inglês, e as transcrições das falas dos/as/es participantes, disponível em inglês e português.

*Mesa-redonda originalmente realizada em inglês e português e traduzida para o português por Rodrigo D’Alcântara

 


The name of the unceded lands now known as Brazil was given by the Portuguese invaders from “pau-brasil”, an ember-like tree that was almost extinct due to its exploitative commercialization since the 1500s. At this time, numerous indigenous peoples who had existed for centuries in these lands were enslaved and exterminated for this purpose. The bloody path behind the Brazilian project of a nation was then followed by centuries of enslavement of a wide range of African cultures, whose peoples were aggressively forced to be part of this so-called “civilizing project”, resulting in the Afro-Brazilian diasporas. As we know, this imperialist race has resulted in a strong white cis-gender Western model, which imposes a single narrative, centering itself as the world’s hegemonic core, and by which some lives are framed as dissident, and placed at the margins or beyond. Coming from the chaotic and fertile South of the World, we are moving towards a counter-hegemonic way of occupying institutions and perpetuating dissident images. The round table Intersections in Contemporary Brazilian Art brings crossed dialogues between the researches of Luciara Ribeiro, Pêdra Costa, and Yhuri Cruz, with the mediation of Diogo Rodrigues de Barros and Rodrigo D’Alcântara, to think art as a channel that projects anti-colonial realities, challenging, denouncing and making visible the necropolitics of the past-present, which alarmingly continues to dominate Brazil, as well as our shared world.

*Roundtable discussion originally conducted in English and Portuguese and translated into English by Rodrigo D’Alcântara and Diogo Rodrigues de Barros.